Pescar um peixe é um tanto quanto fácil.
Manter na rede de pesca já é outra história.
Poucas coisas me fascinam. A questão central é que me apego
numa facilidade patética – e me desapego ainda mais rápido. Sendo assim, me
refiro à este fenômeno como duplamente estulto. Observo, quero, consigo,
adoro, canso, descarto. É sempre essa rotina de buscar, encontrar e repelir. Podem até conseguir me conquistar em 5 minutos, mas garanto que me perdem em 3.
Queria ter coragem de rogar por algo que preenchesse o vazio por maior intervalo
de tempo do que de costume, mas o receio de não ser atendida é maior do que a
vontade de bagunçar, cerrar o vazio e dar início à inquietação. Mantenho-me de
portas abertas, mas não a criar convites. As semanas se prolongam, mas os anos
voam – e a perca de tempo, ilesa, sorri e abraça a covardia.

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